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O falacioso discurso da TV Digital: da interatividade

Interatividade. Substantivo feminino: ato ou faculdade de diálogo intercambiável entre o usuário de um sistema e a máquina, mediante um terminal equipado de tela de visualização. Etimologia: inter- + atividade. Teríamos algo como “ação no espaço”. Axiomático, não? O irônico é que a dita “qualidade do que é ativo”, da concepção do termo “atividade”, apresenta de imediato um contraste abismal com a essencialmente limitante linguagem televisiva e absolutamente passivo telespectador.

 

Como senso comum, a televisão é um meio de comunicação fundamentalmente passivo e massificado, em razão de fatores como, de maneira bastante genérica, da necessidade de impactar um grande número de espectadores para viabilização da produção dos programas – o que evidentemente requer um conteúdo e uma linguagem de fácil absorção à maioria – ao envio do sinal televisivo de um para muitos. Trata-se da própria definição do conceito de Broadcast, cuja principal característica é a de que a mesma informação é enviada para muitos receptores ao mesmo tempo, propriedade esta que nem mesmo a ascensão do sinal digital poderá por hora modificar.

 

Dedo na ferida

 

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O falacioso discurso da TV Digital: da ilimitabilidade do conteúdo

No momento em que a transição da TV Analógica para a TV Digital finalmente efetivar-se, as possibilidades de envio de conteúdo constatavelmente se ampliarão. Tecnicamente falando, na mesma faixa de freqüência hoje empregada – de 6 MHz – poderiam ser muito em breve transmitidos até 4 canais simultâneos no mesmo espaço, ao invés do atual – somente 1 canal. Tal façanha só é possível em razão da digitalização da TV e da ascensão de uma tecnologia de compressão de dados que “empacota” e agrupa as informações de maneira mais eficiente.

 

Apenas relembrando, qualquer forma de vídeo que possamos assistir, seja ele digital ou analógico, do filme Tropa de Elite no cinema, passando pela clássico San-São na TV, ao vídeo “In The Jungle” no You Tube, é na realidade uma seqüência de sucessivas imagens que, por passarem rapidamente, são interpretadas pelo nosso cérebro como uma percepção contínua, nos dando assim uma sensação de movimento, através do conhecido fenômeno da persistência retiniana.

 

Sequência de Imagens

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O falacioso discurso da TV Digital: da qualidade da imagem

Há mais de 35 anos atrás, mais especificamente no dia 19 de fevereiro de 1972, eram transmitidas publicamente as primeiras imagens a cores da televisão no Brasil, onde cerca de 500 privilegiados televisores coloridos recebiam diretamente do Rio Grande do Sul as reluzentes imagens dos desfiles de carros alegóricos da tradicionalíssima Festa da Uva de Caxias do Sul. Mas foi apenas na Copa do Mundo de 74 que, diante do que passou a ser então o mais do que evidente benefício de destacar a seleção brasileira em seu amarelo-canário – antes relegado a algumas vezes dura distinção entre o simples preto e branco, passando por alguns tons de cinza – que a venda em grande escala dos aparelhos de TV em cores verdadeiramente deu-se início no país.

Muito tempo se passou até que uma revolução digna de assim ser chamada – passando talvez pelo advento do controle remoto, muito temido na época pela publicidade, embora efetivamente não tenha causado grande impacto – voltasse à tona na ininterrupta corrida tecnológica neste emblemático aparelho que hoje está inserido quase que na totalidade dos domicílios brasileiros. Sim, depois da revolução que as cores causaram nos antigos televisores preto e branco, o único marco que posteriormente merece destaque foi o início dos testes justamente para a Televisão Digital, em 1998. Depois, nos já anos 2000 chegaram os primeiros televisores de tela plana no mercado nacional, assim como os primeiros aparelhos de Plasma e LCD já em 2002.

Jesse Jane já pensa em fazer cirurgia plástica em razão da alta definição (em inglês)

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Mais do mesmo e menos é mais: Pombos-correios e a revolução televisiva

Pombos-correios: mídia do passado? Talvez, embora nem tão passado assim. Somente há 6 anos, ou seja, uma atividade ainda pertencente a este século, finalmente fecharam-se as portas da última pequena empresa remanescente que persistentemente prestava serviços de pombos-correios no mundo, na longínqua e remota região indiana de Orissa. A chamada columbofilia – a arte da criação e adestramento de pombos – apesar de ainda permanecer como paixão e hobby de muitos, deixou de fazer parte da gama de inúmeras possibilidades midiáticas de comunicação terceirizadas disponíveis hoje no mundo contemporâneo. Em outras palavras, se for do interesse do indivíduo utilizar-se neste instante da mais arcaica forma de comunicação à distância do globo, terá ele que ter criado e adestrado o seu próprio poPombos-correios esmagadosmbo.

Nem mesmo em se tratando de um meio até então inegavelmente atrativo – visão de longo alcance, aguçado sentido de orientação, velocidade de até 100 km/h, capacidade de percorrer distâncias superiores a 1000 km, tudo isso a um singelo custo de apenas 1 quilo de alimento por mês – pode o pombo-correio deixar de sucumbir ao implacável avanço tecnológico dos meios de comunicação, em especial dos serviços de telemática, telecomunicações e da conexão global via Internet (O que dizer então da nossa atual hegemônica televisão?).

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Se não há bandidos, o que dizer então dos mocinhos?

Emissoras e teles duelam por TV digitalÉ absolutamente evidente que, para que se desse início o processo de transição da atual televisão analógica para a futura televisão digital terrestre no Brasil, fez-se necessário, antes de qualquer coisa, a ascensão de uma tecnologia que permitisse a produção do conteúdo e distribuição do sinal televisivo digitalizado, fosse através da possibilidade de se transmitir informações adicionais para correção de erros, fosse por meio da capacidade de compressão de dados. Entretanto, apesar de fundamental a consideração dos aspectos tecnológicos, a questão técnica está longe de ser um fator isolado para a real compreensão dos impactos advindos da transição do analógico para o digital na televisão brasileira, entendimento este que pressupõe a análise de inúmeras variáveis profundamente inter-relacionadas, dos aspectos políticos e econômicos aos sócio-culturais.

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