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O falacioso discurso da TV Digital: da interatividade

Interatividade. Substantivo feminino: ato ou faculdade de diálogo intercambiável entre o usuário de um sistema e a máquina, mediante um terminal equipado de tela de visualização. Etimologia: inter- + atividade. Teríamos algo como “ação no espaço”. Axiomático, não? O irônico é que a dita “qualidade do que é ativo”, da concepção do termo “atividade”, apresenta de imediato um contraste abismal com a essencialmente limitante linguagem televisiva e absolutamente passivo telespectador.

 

Como senso comum, a televisão é um meio de comunicação fundamentalmente passivo e massificado, em razão de fatores como, de maneira bastante genérica, da necessidade de impactar um grande número de espectadores para viabilização da produção dos programas – o que evidentemente requer um conteúdo e uma linguagem de fácil absorção à maioria – ao envio do sinal televisivo de um para muitos. Trata-se da própria definição do conceito de Broadcast, cuja principal característica é a de que a mesma informação é enviada para muitos receptores ao mesmo tempo, propriedade esta que nem mesmo a ascensão do sinal digital poderá por hora modificar.

 

Dedo na ferida

 

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O deslumbre sócio-tecnológico inspirador de Pangea Day

Pangea DayE o que poderia instaurar melhor uma suposta sensação de pertença a uma comunidade global – a qual se refere Rogério da Costa em “Cultura Digital” (ver post anterior) – do que o conceito proposto pelo Pangea Day? Trata-se de um pretensioso projeto idealizado por Jehane Noujaim, diretora de Control Room – documentário que discute a atuação do canal de notícias árabe Al Jazeera durante a invasão do Iraque, ao mostrar a versão da história que as redes americanas não mostraram. Noujaim acredita que o filme como meio pode ser utilizado como uma poderosa ferramenta de quebra de barreiras entre comunidades, culturas e nações distintas entre si.

O intuito do projeto foi divulgado na premiação da diretora na conferência anual do TED em julho de 2006 (o ex-presidente americano Bill Clinton e o vocalista do U2, Bono Vox, são alguns dos ganhadores de outras edições do prêmio), premiação esta que dá ao seu vencedor o direito de pedir “um desejo para mudar o mundo” (!) sem restrições propriamente formais e, depois de diversos meses de preparação, o desejo de Jehane foi enfim revelado na esperada cerimônia de premiação: mudar o mundo através do poder dos filmes.

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