Arquivo da categoria: interatividade

Programa TV 2.0: A TV debate a TV (um acontecimento no bate-rebate do não-acontecimento)

Hélio CostaJ. M. Roberts, em sua obra O Livro de Ouro da História do Mundo – um pretensioso apanhado de todos os ditos relevantes acontecimentos que marcaram a história da humanidade de 25 milhões de anos para cá – declara em seu prefácio acerca do desafio de se escrever um livro de tamanha abrangência que “num relato tão abreviado da História mundial só há espaço para se destacar alguns poucos nomes de pessoas: das que mudaram as possibilidades disponíveis aos seus semelhantes”. Respeitando este critério do impacto de um ser humano nas “possibilidades disponíveis aos seus semelhantes” e dado o suposto poder delegado a um único indivíduo, nosso excelentíssimo ministro das Comunicações, Hélio Costa, certamente estaria entre os últimos colocados de qualquer lista histórica, fosse ela mundial, nacional, ou meramente restrita a Grande São Paulo, tal qual a “estréia” da TV Digital Brasileira.

Sr. Costa dizia em 2005 que os paulistanos poderiam assistir a Copa do Mundo de 2006 com imagens da TV Digital (todos assistiram ao fiasco brasileiro em analógico), teimou na viabilidade de conversores a R$ 200 ou menos (os conversores estão hoje entre R$ 400 a R$ 1500), discursou ainda acerca da interatividade (não foi integrada aos equipamentos no prazo), da multiprogramação (não interessou às radiofusoras) e da mobilidade (não interessou às teles, não existindo aparelhos compatíveis com a tecnologia no Brasil). Diante das potencialidades por hora exaustivamente anunciadas, Sr. Costa foi na verdade mais do que o protagonista, incorporando a fidedigna personificação de um dos maiores não-acontecimentos à percepção popular que se tem notícia da história da televisão brasileira, cuja irrelevância torna-se ainda mais patente diante do claro impacto primeiro da chegada da televisão em 1950 – em contraposição a anterior simples ausência do aparelho – e da evidente estréia da televisão a cores em 1972 – em contraposição as imagens antes em sóbrios preto e branco.

TV 2.0

Continuar lendo

Anúncios

3 Comentários

Arquivado em Conversores, Early Adopters, Grande Mídia, Hélio Costa, História do Brasil, Imagem, interatividade, Jornalismo, Manipulação, Mídia de Massa, Novas Mídias, Política, Telecomunicações, Televisão, TV 2.0, TV Aberta, TV Digital, UFF, You Tube

O falacioso discurso da TV Digital: da interatividade

Interatividade. Substantivo feminino: ato ou faculdade de diálogo intercambiável entre o usuário de um sistema e a máquina, mediante um terminal equipado de tela de visualização. Etimologia: inter- + atividade. Teríamos algo como “ação no espaço”. Axiomático, não? O irônico é que a dita “qualidade do que é ativo”, da concepção do termo “atividade”, apresenta de imediato um contraste abismal com a essencialmente limitante linguagem televisiva e absolutamente passivo telespectador.

 

Como senso comum, a televisão é um meio de comunicação fundamentalmente passivo e massificado, em razão de fatores como, de maneira bastante genérica, da necessidade de impactar um grande número de espectadores para viabilização da produção dos programas – o que evidentemente requer um conteúdo e uma linguagem de fácil absorção à maioria – ao envio do sinal televisivo de um para muitos. Trata-se da própria definição do conceito de Broadcast, cuja principal característica é a de que a mesma informação é enviada para muitos receptores ao mesmo tempo, propriedade esta que nem mesmo a ascensão do sinal digital poderá por hora modificar.

 

Dedo na ferida

 

Continuar lendo

4 Comentários

Arquivado em Conteúdo, Conversor, Globo, Grande Mídia, História do Brasil, Indústria, interatividade, Internet, Manipulação, Publicidade, Telecomunicações, Televisão, TV Aberta, TV Digital, TV Paga, Via prussiana

O falacioso discurso da TV Digital: da qualidade da imagem

Há mais de 35 anos atrás, mais especificamente no dia 19 de fevereiro de 1972, eram transmitidas publicamente as primeiras imagens a cores da televisão no Brasil, onde cerca de 500 privilegiados televisores coloridos recebiam diretamente do Rio Grande do Sul as reluzentes imagens dos desfiles de carros alegóricos da tradicionalíssima Festa da Uva de Caxias do Sul. Mas foi apenas na Copa do Mundo de 74 que, diante do que passou a ser então o mais do que evidente benefício de destacar a seleção brasileira em seu amarelo-canário – antes relegado a algumas vezes dura distinção entre o simples preto e branco, passando por alguns tons de cinza – que a venda em grande escala dos aparelhos de TV em cores verdadeiramente deu-se início no país.

Muito tempo se passou até que uma revolução digna de assim ser chamada – passando talvez pelo advento do controle remoto, muito temido na época pela publicidade, embora efetivamente não tenha causado grande impacto – voltasse à tona na ininterrupta corrida tecnológica neste emblemático aparelho que hoje está inserido quase que na totalidade dos domicílios brasileiros. Sim, depois da revolução que as cores causaram nos antigos televisores preto e branco, o único marco que posteriormente merece destaque foi o início dos testes justamente para a Televisão Digital, em 1998. Depois, nos já anos 2000 chegaram os primeiros televisores de tela plana no mercado nacional, assim como os primeiros aparelhos de Plasma e LCD já em 2002.

Jesse Jane já pensa em fazer cirurgia plástica em razão da alta definição (em inglês)

Continuar lendo

3 Comentários

Arquivado em Conversor, Imagem, interatividade, Publicidade, TV Aberta, TV Digital, TV Paga, You Tube

O bloqueio (físico e mental) na TV Digital

Como já dizia Gramsci acerca dos absurdos na relação da mídia e seu público, os meios de comunicação são controlados pelo capital privado, embora eles tratem de assuntos pertencentes à esfera pública. Esses assuntos da esfera pública, porém, são abordados e debatidos de uma maneira privada quanto ao seu conteúdo, ao seu direcionamento, ou à maneira pela qual são analisados. Isto evidentemente faz com que a mídia tenha adquirido um grande poder uma vez que ela passa a ser o agente detentor de um papel de interesse público controlado unicamente pelo próprio capital privado, e não pelas ditas instituições públicas.

Antonio Gramsci morreu no ano de 1937, em Roma, Itália, num governo dito fascista. Setenta anos depois, ano de 2007, em Brasília, Brasil, num governo dito democrático, meia dúzia de famílias brasileiras – que detêm o controle dos grandes grupos de comunicação no país – querem dizer às milhões de famílias brasileiras – cuja maioria vê “a” realidade através dos “olhos” do casal de estrelas Bonner & Bernardes – não apenas o já trivial – o que devem ou não devem pensar – como também o que devem ou não devem fazer com o próprio conteúdo em si do que se passa pela tela da TV em cada um dos 40 milhões de domicílios do país.

Globo Lock 

Continuar lendo

2 Comentários

Arquivado em Autoprogramação, Direitos Autorais, Gramsci, interatividade, Jornalismo, Pirataria, Televisão, TV Digital

Para entender a TV Digital: Bibliografia 1

Em seu livro A Cultura Digital, Rogério da Costa faz uma análise geral de como o digital encontra-se cada vez mais presente e inserido na vida de um número cada vez maior de pessoas através da interação com os mais diversos aparelhos eletrônicos. O autor denota como a interação das pessoas com estes aparelhos se dá através da relação do indivíduo com o ambiente de informação – ou interface – que funcionam essencialmente como filtros de informações, apresentando ao usuário apenas aquilo que é do seu inteA Cultura Digitalresse.

 

O autor também destaca o indício da chamada “economia da atenção”, em que a grande moeda seria explorar a atenção consciente das pessoas e o que justificaria o poder das interfaces em prender essa atenção, motivos que vão desde o estímulo visual da imagem em movimento à necessidade humana de se manter informado e, principalmente, de se comunicar. Nesse contexto, a interatividade é colocada como fator-chave no despertar da atenção humana.

 

Continuar lendo

1 comentário

Arquivado em Convergência, interatividade, Novas Mídias, Rogério da Costa, Televisão, TV Digital

Se não há bandidos, o que dizer então dos mocinhos?

Emissoras e teles duelam por TV digitalÉ absolutamente evidente que, para que se desse início o processo de transição da atual televisão analógica para a futura televisão digital terrestre no Brasil, fez-se necessário, antes de qualquer coisa, a ascensão de uma tecnologia que permitisse a produção do conteúdo e distribuição do sinal televisivo digitalizado, fosse através da possibilidade de se transmitir informações adicionais para correção de erros, fosse por meio da capacidade de compressão de dados. Entretanto, apesar de fundamental a consideração dos aspectos tecnológicos, a questão técnica está longe de ser um fator isolado para a real compreensão dos impactos advindos da transição do analógico para o digital na televisão brasileira, entendimento este que pressupõe a análise de inúmeras variáveis profundamente inter-relacionadas, dos aspectos políticos e econômicos aos sócio-culturais.

Continuar lendo

1 comentário

Arquivado em Convergência, História do Brasil, interatividade, Novas Mídias, Publicidade, Telecomunicações, Televisão, TV Digital