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Contagem regressiva para o nada: às vésperas da estréia da TV Digital Brasileira

Há apenas uma única semana da estréia oficial das transmissões da Televisão Digital Terrestre no Brasil – depois de inúmeros anos de demoradas, tensas e extensas discussões – é irrisório o número de aparelhos de TV existentes habilitados tecnicamente para – se não o aproveitamento por completo das melhorias de som e imagens em alta definição – ao menos capacitados a simples recepção do sinal digital. Em São Paulo, local de estréia da televisão digital brasileira, cidade com seus abundantes 11 milhões de habitantes, as previsões do Diretor de Estratégia e Tecnologia da TVA, Virgílio Amaral, ilustram o quão meramente simbólica – em termos quantitativos e de amplitude – será a inauguração da TV Digital no país: menos de 1.000 pessoas terão então acesso ao efetivo aproveitamento do sinal digital, sendo esta, segundo ele, a mais otimista das estimativas possíveis. Como mera ilustração, serão ridículos cerca de 15 vezes menos pessoas imediatamente impactadas pela Televisão Digital do que o número de pessoas que já entraram neste singelo Blog.

Entretanto, a questão acerca da digitalização do meio de comunicação mais significativo do país está longe de se limitar a uma mera barreira mercadológica da ausência de aparelhos aptos à recepção e utilização plena das melhorias advindas do sinal digital. No que se refere a este empecilho, nada que um inevitável processo de aculturamento e adaptação não pudesse gradualmente solucionar, processo este compartilhado por grande parte das inovações tecnológicas eletroeletrônicas, cujos consumidores pioneiros, os chamados early adopters, iniciam a aquisição destes aparelhos, seguidos pelas classes mais abastadas, depois pelas um pouco menos, e assim sucessivamente, até chegarmos à base.

A gradiosa e esperada “estréia”

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O falacioso discurso da TV Digital: da interatividade

Interatividade. Substantivo feminino: ato ou faculdade de diálogo intercambiável entre o usuário de um sistema e a máquina, mediante um terminal equipado de tela de visualização. Etimologia: inter- + atividade. Teríamos algo como “ação no espaço”. Axiomático, não? O irônico é que a dita “qualidade do que é ativo”, da concepção do termo “atividade”, apresenta de imediato um contraste abismal com a essencialmente limitante linguagem televisiva e absolutamente passivo telespectador.

 

Como senso comum, a televisão é um meio de comunicação fundamentalmente passivo e massificado, em razão de fatores como, de maneira bastante genérica, da necessidade de impactar um grande número de espectadores para viabilização da produção dos programas – o que evidentemente requer um conteúdo e uma linguagem de fácil absorção à maioria – ao envio do sinal televisivo de um para muitos. Trata-se da própria definição do conceito de Broadcast, cuja principal característica é a de que a mesma informação é enviada para muitos receptores ao mesmo tempo, propriedade esta que nem mesmo a ascensão do sinal digital poderá por hora modificar.

 

Dedo na ferida

 

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A pequena história da Grande Mídia brasileira (Uma anedota de quem efetivamente manda na TV Digital)

Impossível refletir acerca da digitalização do sinal televisivo no país sem se referir a esse seletíssimo grupo dos principais veículos de comunicação que se contrapõem à denominada imprensa (definitivamente) nanica – ou como se posiciona este singelo blog, a quase underground mídia alternativa – popularmente conhecida – ou academicamente, pejorativamente ou de maneira ativista – como a tristemente afamada Grande Mídia brasileira, justamente, entidade a qual pertence os próprios detentores do controle do leme deste verdadeiro transatlântico chamado TV Digital no Brasil. E, embora o fenômeno de concentração da mídia nacional siga tendências factualmente mundiais, em nossas terras – como não poderia deixar de ser – temos ainda outros agravantes além da lei, que como observado, é evidentemente favorável aos grandes grupos de comunicação (ver post anterior). 

O elevado grau de analfabetismo ainda presente – seqüela não só das precárias condições do ensino fundamental, como resultado também do reduzido poder aquisitivo da maior parte da população – suprime a ampla maioria da sociedade brasileira de outras possíveis fontes de informação e conhecimento. Além disso, ainda é patente no país a fragilidade das organizações sociais e a quase que ausência de uma sociedade civil verdadeiramente estabelecida. Nesse calamitoso cenário, a esmagadora maioria dos brasileiros possui somente no agendamento dos temas estabelecidos pela grande mídia a sua primordial forma de se relacionar com questões de natureza social, política e econômica.

Missa Televisiva

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