Para entender a TV Digital: Bibliografia 4

A Vida DigitalUma já clássica obra de referência (alguns diriam até datada, opinião da qual eu definitivamente não compartilho) para se compreender as extraordinárias mudanças em andamento – e aquelas num futuro próximo – que a transformação de toda e qualquer informação em bits acarretará. Nicholas Negroponte (hoje líder do projeto OLPC – One Laptop per Child) apresenta em seu livro, A Vida Digital, desde os méritos mais imediatos da digitalização dos meios – como a compreensão de dados e a correção de erros, por exemplo, resultando em custos menores às emissoras comerciais bem como som e imagem com qualidade de estúdio aos telespectadores – como em suas conseqüências mais avassaladoras, da manifestação de um conteúdo absolutamente diverso ao surgimento de novos modelos econômicos e, eventualmente, a ascensão de uma indústria caseira da informação e do entretenimento (vide YouTube e afins).

 

No que se refere ao futuro da televisão, Negroponte é bastante categórico ao declarar que, mesmo para os mais conservadores engenheiros especializados em TV, a diferença entre um televisor e um computador irá restringir-se meramente aos periféricos e em qual cômodo no domicílio estará cada aparelho, sintetizando com a idéia de que “a chave para o futuro da televisão é parar de pensar nela como televisão”. O autor denuncia, entretanto, o pensamento analógico ainda enraizado em toda pesquisa voltada ao avanço da televisão, centrada especificamente no refinamento da imagem, em detrimento da qualidade do conteúdo (conceito que ilustra a escolha do padrão japonês de TV Digital para o Brasil). Para o autor, também existe uma preocupação desnecessária e até mesmo infundada no estabelecimento de padrões para variáveis como sinal, entrelaçamento, quadros por segundo e a razão de aspecto que, segundo ele, em decorrência da flexibilidade proporcionada pelo digital, poderiam ser processadas, adicionadas, alteradas e modificadas, de modo a se adequarem ao formato de qualquer monitor.

 

Negroponte nos apresenta a história dos recentes avanços evolutivos da televisão, fundamental para a compreensão de como chegamos hoje ao estabelecimento dos três grandes padrões mundiais de TV Digital, do investimento japonês de mais de duas décadas em televisão de alta definição, passando pela oportunidade que os EUA vislumbraram na HDTV em reerguer a indústria de televisores, até a determinação européia de não deixar que a janela de oportunidade da nova televisão fosse perdida como ocorrera recentemente com a da indústria de informática.

 

Nicholas Negroponte

O livro também desponta para ao lamentável fato de que os potenciais benefícios que a televisão digital futuramente poderia trazer aos seus usuários tornam-se absolutamente secundários no exato instante em que essas eventuais vantagens se confrontam com os interesses comerciais das corporações, situações em que observamos ainda mais escancaradas em terras tupiniquins, como os recentes ímpetos das emissoras comerciais de bloquearem a gravação do conteúdo da programação digital (ver post anterior).

 

Negroponte cita como um evidente indício desta máxima capitalista do lucro soberano, acima de qualquer outro aspecto, o flerte das fabricantes de hardware e software com a gigante indústria americana de TV a Cabo, com a mais do que questionável vantagem de se enriquecer com funções adicionais os já existentes set-top-box, os famigerados aparelhos que são o mais recente capítulo da recheada polêmica novela da TV Digital no Brasil.

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