Para entender a TV Digital: Bibliografia 3

A Nova M�dia“Mídia de massa, historicamente, significa produtos de informação e entretenimento centralmente produzidos e padronizados, distribuídos a grandes públicos através de canais distintos. Os novos desafiantes eletrônicos modificam todas essas condições. Muitas vezes, seus produtos não se originam de uma fonte central. (…) Sua inovação mais importante é a distribuição de produtos de voz, vídeo e impressos num canal eletrônico comum, muitas vezes em formatos interativos bidirecionais que dão aos consumidores maior controle sobre os serviços que recebem, sobre quando obtê-los e sob que forma.

No livro A Nova Mídia – A Comunicação de Massa na Era da InformaçãoWilson Dizard Jr. busca contextualizar a tradicional concepção em torno do termo “comunicação de massa” no que seria uma nova era tomada por profundas, abrangentes e velocíssimas mudanças por quais passam a história, a economia, a política e a sociedade no tocante à tecnologia. Wilson Dizard inicia o seu estudo abordando as transformações no cenário americano por quais passaram a TV, segundo ele o mais bem-sucedido meio de comunicação de massa dos tempos modernos, expondo que, durante a década de 90, as três grandes redes americanas – NBC, ABC e CBS – passaram a somar índices de audiência combinada em menos de 50% pela primeira vez desde o início das medições, quantificando uma mudança estrondosa num cenário em que o mesmo índice chegou a ser de mais de 90% por mais de 40 anos.

O autor coloca a ascensão da Internet e de outras tecnologias que oferecem opções mais amplas de serviços de informação e entretenimento como principais responsáveis por tais mudanças na televisão e nos demais veículos clássicos de comunicação. Entretanto, Dizard reafirma que, apesar da notória perda de audiência dos meios de comunicação clássicos em decorrência das novas mídias, as tradicionais empresas de mídia continuarão a desempenhar um papel primordial em função da vasta experiência em produzir e distribuir a informação. O autor questiona as potenciais ameaças e oportunidades das mídias atuais de se inserirem nesse novo cenário, desde a eventual extinção a longo prazo à prosperidade em se adaptar aplicando suas experiências ao novo contexto.

Wilson Dizard cita Marshall McLuhan quanto às previsões da década de 60 do teórico da mídia de que as máquinas de informação fariam do homem comum o seu próprio editor, potencialmente evitando a estrutura da antiga mídia e instalando suas redes eletrônicas próprias. O autor também cita um revelador estudo do banco de investimentos Veronis, Suhler & Associates (atual Veronis Suhler Stevenson) que indica que os americanos passam mais tempo em contato com a mídia do que com qualquer outra atividade (3.400 horas/ano), incluindo o sono ou mesmo o trabalho, chegando a impressionante marca de 9 horas por dia, em média, de relacionamento diário com os meios de comunicação, sendo 70% deste total representados pela televisão (aberta e a cabo) e o restante através dos jornais, revistas, vídeos, livros, filmes, vídeo-games, acesso online, rádio e música gravada.

Dizard questiona ainda se os novos recursos disponíveis servirão para fortalecer as vidas pessoais e comunitárias, reforçar as tradições históricas ou mesmo refletir as rápidas mudanças geográficas que estão ocorrendo – como a emergência da comunidade hispânica nos EUA – discutindo de que forma esse novo potencial tecnológico será efetivamente utilizado. Como pano de fundo destes questionamentos, o autor nos dá um panorama geral das recentes transformações no que se refere às redes de TV e às indústrias de computadores e telecomunicações, expondo recorrentes fusões e aquisições das mais diversas ordens, integrando-se assim mercados antes visivelmente distintos, criando um cenário mercadológico de imensa complexidade cuja convergência também é a de interesses comerciais. 

Em síntese, pode-se afirmar que o livro aborda os inúmeros processos envolvidos nessas mudanças em curso, oferecendo uma análise que permeia as questões políticas, econômicas e tecnológicas que impactam e modificam os métodos pelos quais a indústria de comunicação irá produzir e distribuir informação e entretenimento dentro dos próximos anos.

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Arquivado em Indústria, Mídia de Massa, Novas Mídias, Telecomunicações, Televisão

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