Maio 14, 2007...5:13 am

Plus ça change, plus c’est la même chose

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Casa-Grande & SenzalaDa célebre máxima francesa ”Plus ça change,  plus c’est la même chose” à idéia do escritor italiano Lampedusa de que é preciso que tudo mude para que tudo fique como está, passando pelo conceito de “via prussiana”, elaborada por Lenin – em que conservam-se na nova ordem fundada claras sobrevivências das formas anteriores – à de “revolução passiva”, cunhada por Gramsci – cujos processos de modernização promovidos pelo alto há conciliação entre diferentes segmentos das classes dominantes como recurso para afastar a participação das massas populares – tais concepções clássicas têm em comum o fato de invariavelmente retratarem a maneira como vêm sendo conduzidas historicamente as mais distintas transformações brasileiras nas mais diversas áreas.

No que concerne à atual transição da televisão analógica para a televisão digital terrestre no Brasil, tal processo parece não ser uma exceção à regra, apresentando todos os indícios de que, apesar de toda a euforia tecnológica em torno das novas inúmeras possibilidades ditas revolucionárias na comunicação, o andamento de um assunto tão atual já aparece enraizado sob o estigma da desigualdade e de um sectarismo elitista na tomada de decisões, sufocando a potencial oportunidade histórica de democratização do mais hegemônico meio de comunicação brasileiro: a televisão.

Este blog tem o intuito de debater, discutir, criticar, examinar pormenorizadamente e instigar a reflexão diante da maneira viciosa como está sendo concebida a transição brasileira para a televisão digital e os impactos – negativos e positivos – perante todos os envolvidos neste processo, com a imensa pretensão de despertar a indignação dos indivíduos que tenham acesso a este conteúdo, na talvez ingênua esperança de que não tenhamos apenas mais um exemplo de como a classe dominante é especialmente bem sucedida no Brasil, e sim ao menos uma significativa exceção à lamentável regra.

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